sábado, 7 de janeiro de 2012

Dezembro

Esse é um post diferente. Li o blog de um amigo e fiquei inspirado a escrever. Mas não do jeito que sempre escrevo, do jeito que eu conversava com uma velha jovem dias atrás. É uma cópia adaptada, algo escarrado isso aqui. É grande. Não sei se é legal. Mas eu acho. Leia quem quiser.

Fazia um frio incomum aquele fim de ano. Na TV falaram que a temperatura aqui estava 6 ou 7 graus abaixo da média mínima. É, eu gosto de meteorologia, não tenho o que fazer mesmo.
Lembro de um sábado que acordei cedo, comi um pão, me arrumei, liguei o carro, esperei esquentar e fui trabalhar. Tava escutando alguma música alternativa, como costume. Chovia. Estacionei. Fiquei olhando reto e pensando: "Tomara que eu não pegue nenhuma aluninha tosca de manhã. De manhã é sempre pior dar aula. Eu queria dormir e comer chocolate. Ah foda-se, tenho que fazer isso."
Peguei o guarda-chuva, os fones de ouvido. Tranquei o carro. Fui andando, cansado. Era legal ver a fumaça da minha respiração. Bati ponto. Dei aula. Ao meio-dia já estava bem quente, mas lá dentro não. Continuei com o moletom. Almocei. Dei mais aula. Tinha aquele casal gente boa. Eram os mais legais de dar aula. O dia foi legal até, não tive nenhuma aluninha tosca. Era a mesma bobagem de sempre.
Fui pra casa, já tava bem quente e não chovia no final do dia. Ainda vestia o moletom. Gosto daquele moletom.

É, isso foi no começo do mês.
Depois tive umas provas que ou me fodi, ou me dei bem. Sem meio termo. Sem eufemismo.
Jantei no RU um outro dia. Como era bom jantar naquele "RU chique" que o povo das engenharias tem o privilegio de desfrutar sempre. Talvez o povo de humanas tenha que se foder mesmo. (acabo de expressar um sorriso ligeiro). Tava bem quente. Finalmente era Dezembro. Fui despedido. Fiquei de boa. Não era um problema - não ainda. Não precisei trabalhar naquela segunda. Perguntei se ainda poderia ir na festa da quarta-feira, no amigo secreto. É que eu não queria deixar um livro de poesias em alemão mofando no meu quarto. Não sei ler alemão.
Fui na festa. Não foi "a festa", mas foi muito melhor do que eu esperava. Estava certo que veria aquelas pessoas pela última vez. Durante a festa não estive tão certo assim, mas ao final a certeza voltou. Ganhei um DVD do AC/DC. Muito bom aliás; ele me lembrava da época em que eu era mais animado e escutava hard rock. Já se foram quatro anos. Sei que é coisa de velho, mas 'parece que foi ontem'.
A festa degringolava, estava acabando. Algumas verdades surgiam. Uma música horrível estava tocando, era realmente insuportável. Mas as pessoas, conhecidas há muito, há pouco, ou desconhecidas estavam sendo muito legais comigo. Me senti bem - eu não esperava por isso aquela noite.
Tinha um povo mais descolado. Um piá estrangeiro... E ele tava afim de uma guria linda. En effet très jolie! Ela era muito astuta. Não era retardada, muito menos vadiazinha. Tinha bom gosto, e sabia disfarçar as investidas dele muito bem. Todos quase sabiam fazê-lo. Até eu. Pensei em manter contato, mas ah! não ia adiantar. Ela tem namorado, os outros eram apenas conhecidos. E eu não era nada perto dela, eu acho.
Saí com os caras, eles pegaram o ônibus na outra direção. Acho que iam fumar maconha na casa de um deles. Fiquei no tubo esperando o meu ônibus. Demorou uma eternidade pra mim. Mas foi legal, era tarde, quase meia-noite, e eu ficava lá, sozinho, num dia morno, de vento frio, dentro do tubo com as luzes apagadas (ou estragadas mesmo), com meia-luz. Tinha uma puta que chegou depois. Fiquei lá, ouvindo meus 'indiezão' (como diz um amigo meu). Troquei, quis ouvir Pearl Jam. Bem melhor. E ficamos lá. Um bêbado, o cobrador sentado na escada, um espaço de três metros ou mais, a puta e eu, na sombra. O ônibus chegou, fui pra casa, entrei, comi, tomei banho e dormi.

Um fim de semana, fui num bar. Era pra escutar rock. O grande rock. Mas era um aniversário. Tava todo mundo agitado, meio louco. Todo mundo de todos os lugares foi pra lá naquela noite. Alguns jogos, umas putinhas fáceis. Peguei elas. Voltei a mim depois de um tempo. Todos voltaram. Fui pra casa, tomei um suco de laranja muito gostoso. Fim de semana legal. As coisas estavam estranhamente bem para a época da minha vida que já se estendia por mais de dois anos e meio. Bom isso. Ah, e foi uma vingança estar bem comigo mesmo. Uma vingança para com todos aqueles filhos da puta que duvidavam e me zoavam. E especialmente uma vingança para aquela lá do começo do ano.

Dias depois, não queria mais putinhas. Essas você encontra em qualquer lugar. São quase uma praga. Essas nem você, nem elas lembram dos nomes. Tava conversando com o pessoal na escada, tava todo mundo tranquilo e preocupado ao mesmo tempo. Mas era bom. Resolvi chamar uma guria legal pra tomar um café, mas acabamos indo tomar uma cerveja e comer. Falamos de muita coisa. Falar de muita coisa é quase meu dom divino - se deus existisse. Andamos até a pracinha, na frente do tubo nos despedimos. Ela agradeceu a companhia e me deu um abraço diferente, que devo dizer, foi um dos melhores em praticamente um ano. Fui pra casa.

Dias depois, na faculdade, fizemos as últimas provas, assistimos as últimas aulas e aquela merda toda acabou. Momentaneamente, na verdade.
Fui pra casa de um cara que se revelou grande amigo, Kotaka. O piá tem suas esquisitices, mas eu também tenho, mais até do que ele eu diria; e afinal, quem é que não é esquisito nessa cidade?! Enfim, ficamos comendo e bebendo bem, jogamos, relaxamos e ficamos conversando com os pais dele - povo legal -, depois conversamos sobre a vida, sobre o passado de uns anos atrás, conversamos sobre garotas, era inevitável falar de garotas, todo homem entende. Falamos de umas coisas sérias depois, mas sempre tinha umas piadinhas no meio, pra ficar mais descontraído. Foi ficando tarde, digo, para ficar na casa de alguém em dia de semana. Voltei pra casa a pé, escutando Eddie Vedder, vendo as casas bonitas daquela parte do bairro, vendo o colégio, lembrando do tempo do colégio. Lembrei daquela guria que eu gostava no colégio, é verdade. Pensei no que poderia ter sido se não. Passei na frente da casa da Gabi, guria legal também, aprendi a gostar ela com o tempo. Eu estava contemplativo, estava feliz. Andei pela Salgado Filho, como nos tempos de colégio, de feirinha, de hapkido. Ótima noite.

Mais alguns dias, já era férias. O tempo começou a esfriar de novo. Chegou a fazer 12ºC numa noite. Muito bom isso. Pude colocar aquele moletom que eu gosto por alguns dias. Meu cunhado, irmã e sobrinho foram pra Minas. Eu fiquei em casa com meus pais. Assisti alguns filmes, terminei de ler o livro sobre poesia medieval que não tive tempo de ler no fim do semestre. Mas o que mais marcou foi o livro que o Kotaka me emprestou; Na Natureza Selvagem. Que livro bom, que história (não estória) boa! Muito boa! Todo mundo tinha que ler esse livro. Fiquei escutando o CD do Eddie e lendo o livro alguns dias. Terminei mudado, tenho certeza.

Natal. Não tinha nada de especial pra comer. A casa está toda zuada por causa dos pedreiros malditos. Nada de presentes, só um chocolate. Me lembrou a páscoa. Chocolate gostoso. Frio e garoa no natal. Bem estranho, mas definitivamente agradável. Não teve nada, mas foi o melhor natal da minha vida. Eu estava tranquilo. A jovem idosa me disse que não fazia sentido desejar bom natal, não acreditando em deus. Talvez faça sentido. Mas ainda acho bom desejar bom natal, por costume, por educação, ou por algum motivo bobo - se você ler isso, desculpa, haha.

Mais dias de chuva e frio. Já me admirava como durava esse friozinho fora de época. Ano novo, ou melhor; último dia do ano. Toquei bateria um pouco. Back to the basics. Assisti um filme qualquer, ambientado numa floresta. Eu gosto de filmes ambientados em florestas. Só era estranho o fato desse filme ser britânico, parecia errado. Lá fora tinha um monte de babaca fazendo barulho, estourando fogos. Sempre me pergunto por que motivo eles não deixam para estourar tudo à meia-noite? Seria uma queima de fogos muito mais bonita e longa se fizessem isso; mas todo ano fazem a mesma idiotice... Não vi o último pôr-do-sol, nem queria ver, o filme era mais legal. A janela dos fundos estava aberta, e eu, ainda vendo o filme. Minha mãe me interrompeu pra uma oração de fim de ano. Eu aceitei.
No quarto dela, ela séria e esperançosa, meu pai com um ar de "só tô aqui porque é minha esposa" e eu em silêncio também. Ela fez a oração, parecia ter fé, não sei. Meu pai cruzava os braços e me olhava, olhava pra ela, mas não dava pra saber direito o que ele tava pensando. Ela com certeza queria que eu tivesse fé de novo. Respeitava isso, por isso fazia silêncio. Mas, as coisas que ela dizia na oração, eram risíveis para todo descrente. Segurei o riso, em respeito à fé alheia. O deus dela já foi meu deus anos atrás. Mesmo assim, quis muito rir. Só que isso seria muito filho da puta. Ela terminou. "Amém", disse ela, e nos olhou esperando que eu e meu pai também disséssemos, mas não falamos nada. Ela abraçou ele, e eu quase ri. Ela disse: "Pode rir." Eu ri. (João 11:35???) hahaha, acho que não naquele dia.
Voltei a ver o filme, quando de repente, fogos estouraram no meu telhado, eu corri e vi toda aquela fumaceira pela janela. Comecei a berrar xingamentos aos vizinhos que mantemos uma relação de ódio mutuo. Chovia, fui na rua, mas não tinha ninguém. Só uma velha, vizinha, que voltava de algum lugar com uma sacola. Nas casas da rua de cima, alguns carros e uma música cafona que tocava há quase 10 horas. Eu queria brigar. Mas não tinha ninguém. Voltei pra casa, tomei banho e comemos. Fogos e fogos, e 'feliz ano novo'. Meus pais foram dormir e eu assisti um episódio de uma série que passei a acompanhar antes de ir fazer o mesmo.

Bom Dezembro.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Nada

Saudade do tempo da escola. As coisas pareciam fáceis - sem desafios, o que tornava a vida monótona e tediosa é claro, mas atualmente é igualmente tediosa e com menos tempo de lazer -, eram fáceis, pelo menos pra mim:
Acordar, reclamar de acordar cedo e reclamar que a escola em que estudava 'era tosca', tomar café da manhã, ir pra escola, prestar atenção nas aulas que mais agradavam, dormir e conversar na maioria das outras aulas (exceto matemática, nunca podia), ir mal na educação física e ficar com vontade de ir bem, pois só assim se fazia amigos e as garotas gostariam de você. Depois ir pra casa, almoçar, ficar vendo TV, ou jogando alguma coisa qualquer no video game ou no computador. Sair para o cursinho de inglês e torcer para a aula passar rápido, torcer para pegar o ônibus rápido para não ter que fritar no sol ou ainda torcer para não ter sol (ok, isso vigora até hoje), torcer para ir bem na prova de matemática sempre aterrorizante. Ver uma garota bonita e conversar com ela, sem se importar o quão não apresentável estava, tentar ser amigo dela e também do garoto baixinho, que embora também fosse um desastre nos esportes, era reconhecido. Nem sempre conseguir. Voltar pra casa, jantar, ver mais TV, tomar banho e dormir. Que agradável, que cômodo.

O que considerava difícil e chato eram as coisas mais banais do mundo; como ir buscar o resultado de um exame médico. Ou ir com meus pais no médico, em alguma zona rica da cidade.
Me lembro de um desses dias de inverno curitibano, não os ensolarados de frio e geada, mas desses cinzentos, com vento frio e garoa ou chuva... Estava no carro numa avenida de um bairro meio chique, esperando meus pais voltarem de um desses médicos de clínicas igualmente chiques. Ligava o rádio na estação famosinha e começava a sentir algum desconforto, trocava para a estação de rock, ouvia Green Day, U2, Nirvana... Keane. Cansava, voltava para a estação famosinha, e escutava mais Keane - estava na moda. Músicas melancólicas, porém gostosas de se ouvir. Lembro que a chuva estava começando a cair, e as dondocas que passeavam com seus cachorros bonitos desapareceram rapidamente naquele fim de tarde, as garotas que passeavam por alí e que voltavam do colégio se protegiam como podiam da garoa que engrossava, o senhor aparentemente simpático, jogara seu jornal no lixo e apagara seu cachimbo e se abrigara próximo do médico onde estavam meus pais.

Queria jogar video game, afinal, não tinha vida social. Mas depois de duas horas no banco de trás de um carro esperando, foi natural começar a pensar sobre essa escolha. Porque o video game e não o telefone para falar com alguém? Porque não outra coisa qualquer? Porque não querer entrar na internet para falar com alguém, mesmo que fosse sobre video game? Porque eu estava ali no carro e não em casa, ou na casa de alguém? Tantos garotos e garotas da minha idade iam na casa um do outro durante a semana... Eu não. Claro, eu não era como eles. Olhei para cima, na sacada de um prédio de 'alto padrão' estava uma menina, da minha idade na época, com uniforme do colégio. Falava ao telefone celular, desligou e guardou o celular no bolso do casaco, e se debruçou na mureta de sua sacada, ficou olhando para o horizonte, para o nada, para as pessoas lá embaixo. Não pude saber se ela aparentava feliz ou triste, irritada. Sua expressão facial era ambígua, mas tinha certeza que havia um tom de passividade em sua atitude. Nem isso eu tinha. Nem isso. Eu mal sabia quem era, não podia dizer nem que tipo de música me agradava mais. Talvez quisesse ser exatamente o que foi descrito acima: o garoto esportivo, legal, espontâneo, com "uma família perfeita" (obviamente isso não existe, mas no mundo ideal de nossas vontades sim), alguém com a mesmas opiniões da maioria, para que não houvessem conflitos. Quem sabe isso não tenha mudado tanto, mas só 'quem sabe'. Ninguém sabe. Queria a vida dos outros, sem ser os outros, mas sendo similar. Imaginava desde então a vida desses outros, desses melhores, desses que não era. Queria tudo e não queria nada, não podia querer nada - tal como hoje.

Acho que basta, linguagem simples, sono acumulado somado à vontade de escrever e indecisão sobre quase tudo que se tem em mente geralmente não produzem boas postagens, portanto, encurtemos esta.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Botões do teclado

Pensando aqui "com meus botões" e agora cá com meu teclado cheguei à seguinte frase: O desespero cria as atitudes mais inusitadas, especialmente em momentos difíceis, não oportunos e indevidos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tragicomédia: Tristeza no dos outros é refresco.

Tragicomédia: Tristeza no dos outros é refresco.: "Não gosto da tristeza. Dizem que ela é mais bonita, mais artística. Eu gosto mesmo é de sentir."

Vale a pena ler! Encontrei a postagem nesse blog, muito bom.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Conto (de) Passageiro

O cenário: cair da noite, fria e chuvosa.
Saiu do café com um ar conformado, com ar monótono. Ao menos havia tomado um café previamente adocicado, e havia acrescentado duas colheres a mais de açúcar. As coisas doces o agradavam.
Andou em silêncio, ouvindo suas músicas e desviando das poças de água que cresciam nos desníveis tortuosos das calçadas a medida que a chuva aumentava. Parou. Pôs a mão no bolso e tirou suas moedas. Pagou a passagem de ônibus. Esperou. Continuou ouvindo suas músicas e esperou mais.
- Lá vem o ônibus.

Como todos, se preparou para o embarque. Entre a pequena multidão que se espremia e se aglomerava próximo à porta, notou uma moça com cabelos brilhantes. Sentiu uma discreta vontade de poder ver seu rosto, mas ela estava de costas.
Entraram no ônibus.
Em meio à confusão de passageiros saindo, entrando, se sentando e se ajeitando, lá estava ela novamente, caminhando até o fundo do veículo. Sem notar, ele caminhou para o mesmo local; havia dois bancos vagos. De repente um rapaz o passou e se sentou onde pretendia se sentar. A moça se sentou logo atrás, precisamente no último banco bem ao centro. E ele, como não conseguira nenhum lugar, permaneceu em pé defronte à garota.

Pôde ver seu rosto. Era belo. Muito.
O ônibus inciava sua viagem.
Havia do lado dela um rapaz, mal encarado, um tanto estranho. Mas isso não era importante. Olhou para fora, e para as gotas que deslisavam pelas janelas. Porém, não pôde continuar a olhar para fora por muito tempo. Algo fazia com que voltasse sua atenção para a moça sentada logo a sua frente. Notara que ela não usava um calçado comum, era um calçado diferente, único. Notara sua blusa branca, e sua face; olhos esverdeados inebriantes, lápis de olho, nariz fino, lábios também finos coloridos com batom rosa avermelhado suave e brincos brancos pendurados delicadamente em cada orelha.

Tentou tratar de esquecer disso e voltou a olhar as gotas passeando pelas janelas, hora mais rápidas, hora mais lentas, de acordo com a aceleração do transporte. Tentativa vã. Olhou novamente para a moça. Ela adormecera. Bem, ao menos seus olhos estavam fechados e suas mãos pálidas repousavam uma sobre a outra. Tinha uma expressão em seu rosto; ele não foi capaz de distinguir se era cansaço, calma ou tristeza. Fixou o olhar e prestou atenção nela e se esqueceu dos outros passageiros por alguns instantes. Resolveu considerar que se tratava das três coisas juntas. Parecia um anjo. Era serena e doce. As coisas doces o agradavam. Desviou sua atenção de novo, mas desta vez para o chão. E assim permaneceu por alguns minutos.

"Como ela é bonita!" - pensava consigo. "Talvez vislumbrá-la apenas mais uma vez não seria má ideia, ela está dormindo tão calma..." - também pensara. Levantou a cabeça e ela o olhava diretamente. Sem querer se entreolharam, olhos nos olhos, por um segundo ou menos. Viraram suas faces para outro ponto qualquer simultaneamente, e ao mesmo tempo abaixaram suas cabeças. O ônibus finalmente chegou em sua primeira parada.

"Será que ela desce aqui? Muitos descem aqui.". Ela não desceu. Mas o susto e o incômodo o impeliram a se sentar, visto que muitos bancos ficaram vagos. Se sentou. Encostou a cabeça na janela embaçada e se meteu a pensar, a imaginar ações e falas com a bela desconhecida que sentava dois bancos atrás. Ações e falas diversas, e suas permutações em outras inúmeras ações e falas. Adormeceu.

"Cuidado com furtos no interior do veículo", era o que dizia a voz que o acordava. Ele se indagou se a garota ainda estava lá, mas havia gente demais para ver. Passou mais uma parada e um engarrafamento com esta questão em mente. Passado o engarrafamento, se aproximava seu destino. E o dela também. Ela passou por ele ao sair. Tentou tomar o mesmo caminho, mas o mesmo rapaz que o passara ao momento do embarque, o passou no momento do desembarque. Saíram. A garota havia se perdido.

Pegou se guarda-chuva embora não estivesse chovendo. Atravessou a rua, e viu a garota metros a frente. Pensou em oferecer seu guarda-chuva, uma vez que ela se encontrava sem. Ora, que ideia tola! Não estava chovendo. Oferecer o abrigo só o faria parecer um qualquer esquisito e oportunista - e talvez o fosse, no fundo o fosse, internamente, em seu âmago tinha isto como certeza. A garota colocou um capuz. Ambos ficaram presos no meio da avenida, entre os carros passando. Uma brecha. Atravessaram. Ele na beira da calçada, ela sob as marquises.

Uma quadra depois e a chuva volta a cair. "Agora sim, vou diminuir o passo e oferecer meu guarda-chuva". Olhou para trás e ela não se encontrava mais lá. Típico. Uma pena. Uma amargura, falta de doçura. Não era bom, entretanto a lembrança era fresca e era doce. E as coisas doces o agradavam.

sábado, 20 de agosto de 2011

Gris Moyen

Acabei de ver um filme que trabalha bem a inteligência. Mas não a inteligência que - especialmente nós homens - estamos habituados. Não aquela inteligência, por definição racional, lógica. A inteligência a qual o filme nos remete é quase antagônica, ainda que complementar à já dita; é a inteligência emocional.
Talvez você que está a ler esteja se perguntando "Mas isso existe?". Indagação adequada visto que sempre nos dizem que razão e emoção são sempre contrárias uma à outra. Eu mesmo até pouco tempo acreditava nesse dualismo, nesse branco e preto, mas, como já disse, minha mente se diluiu em tons de cinza, e com ela minhas crenças também. Bom, respondendo a pergunta: sim, isso existe!

Muito bem, paremos com esses rodeios. O filme me pareceu tão bom, que não vi necessidade de alguém nem mesmo de entender racionalmente o filme. Simplesmente não precisa. Tudo o que deveria ser passado pelo filme, nos é transmitido através de referências emocionais, não lógicas. Inclusive, algum desavisado poderia assistir apenas alguns pedaços do filme, pois eles já se bastam por si. Enfim, o filme é bom.

Para quem se interessar de alguma forma, o nome do filme é "Ils se Marièrent et Eurent Beaucoup d'Enfants".

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Essay #1

[Nota: Nada melhor para publicar.]

What else could be done,
if they're all gone?

What else could be said,
when all you've got left is yourself awake in your bed?

All the memories,
I must burn,
'Cause if I don't, they would turn
all into huge tragedies.

When I write,
I pay attention to the dark ink.
I don't even blink;
Won't anything ever be just right?
Maybe, the problem is that I over-think.



I dreamed of us and of our trust,
But, unfortunately, we were crushed by our lust.

"Something borrowed, something blue"
is what they say; and now all I had to say, I just said everything to you.