sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Tragicomédia: Tristeza no dos outros é refresco.
Tragicomédia: Tristeza no dos outros é refresco.: "Não gosto da tristeza. Dizem que ela é mais bonita, mais artística. Eu gosto mesmo é de sentir."
Vale a pena ler! Encontrei a postagem nesse blog, muito bom.
Vale a pena ler! Encontrei a postagem nesse blog, muito bom.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Conto (de) Passageiro
O cenário: cair da noite, fria e chuvosa.
Saiu do café com um ar conformado, com ar monótono. Ao menos havia tomado um café previamente adocicado, e havia acrescentado duas colheres a mais de açúcar. As coisas doces o agradavam.
Andou em silêncio, ouvindo suas músicas e desviando das poças de água que cresciam nos desníveis tortuosos das calçadas a medida que a chuva aumentava. Parou. Pôs a mão no bolso e tirou suas moedas. Pagou a passagem de ônibus. Esperou. Continuou ouvindo suas músicas e esperou mais.
- Lá vem o ônibus.
Andou em silêncio, ouvindo suas músicas e desviando das poças de água que cresciam nos desníveis tortuosos das calçadas a medida que a chuva aumentava. Parou. Pôs a mão no bolso e tirou suas moedas. Pagou a passagem de ônibus. Esperou. Continuou ouvindo suas músicas e esperou mais.
- Lá vem o ônibus.
Como todos, se preparou para o embarque. Entre a pequena multidão que se espremia e se aglomerava próximo à porta, notou uma moça com cabelos brilhantes. Sentiu uma discreta vontade de poder ver seu rosto, mas ela estava de costas.
Entraram no ônibus.
Em meio à confusão de passageiros saindo, entrando, se sentando e se ajeitando, lá estava ela novamente, caminhando até o fundo do veículo. Sem notar, ele caminhou para o mesmo local; havia dois bancos vagos. De repente um rapaz o passou e se sentou onde pretendia se sentar. A moça se sentou logo atrás, precisamente no último banco bem ao centro. E ele, como não conseguira nenhum lugar, permaneceu em pé defronte à garota.
Pôde ver seu rosto. Era belo. Muito.
O ônibus inciava sua viagem.
Havia do lado dela um rapaz, mal encarado, um tanto estranho. Mas isso não era importante. Olhou para fora, e para as gotas que deslisavam pelas janelas. Porém, não pôde continuar a olhar para fora por muito tempo. Algo fazia com que voltasse sua atenção para a moça sentada logo a sua frente. Notara que ela não usava um calçado comum, era um calçado diferente, único. Notara sua blusa branca, e sua face; olhos esverdeados inebriantes, lápis de olho, nariz fino, lábios também finos coloridos com batom rosa avermelhado suave e brincos brancos pendurados delicadamente em cada orelha.
Tentou tratar de esquecer disso e voltou a olhar as gotas passeando pelas janelas, hora mais rápidas, hora mais lentas, de acordo com a aceleração do transporte. Tentativa vã. Olhou novamente para a moça. Ela adormecera. Bem, ao menos seus olhos estavam fechados e suas mãos pálidas repousavam uma sobre a outra. Tinha uma expressão em seu rosto; ele não foi capaz de distinguir se era cansaço, calma ou tristeza. Fixou o olhar e prestou atenção nela e se esqueceu dos outros passageiros por alguns instantes. Resolveu considerar que se tratava das três coisas juntas. Parecia um anjo. Era serena e doce. As coisas doces o agradavam. Desviou sua atenção de novo, mas desta vez para o chão. E assim permaneceu por alguns minutos.
"Como ela é bonita!" - pensava consigo. "Talvez vislumbrá-la apenas mais uma vez não seria má ideia, ela está dormindo tão calma..." - também pensara. Levantou a cabeça e ela o olhava diretamente. Sem querer se entreolharam, olhos nos olhos, por um segundo ou menos. Viraram suas faces para outro ponto qualquer simultaneamente, e ao mesmo tempo abaixaram suas cabeças. O ônibus finalmente chegou em sua primeira parada.
"Será que ela desce aqui? Muitos descem aqui.". Ela não desceu. Mas o susto e o incômodo o impeliram a se sentar, visto que muitos bancos ficaram vagos. Se sentou. Encostou a cabeça na janela embaçada e se meteu a pensar, a imaginar ações e falas com a bela desconhecida que sentava dois bancos atrás. Ações e falas diversas, e suas permutações em outras inúmeras ações e falas. Adormeceu.
"Cuidado com furtos no interior do veículo", era o que dizia a voz que o acordava. Ele se indagou se a garota ainda estava lá, mas havia gente demais para ver. Passou mais uma parada e um engarrafamento com esta questão em mente. Passado o engarrafamento, se aproximava seu destino. E o dela também. Ela passou por ele ao sair. Tentou tomar o mesmo caminho, mas o mesmo rapaz que o passara ao momento do embarque, o passou no momento do desembarque. Saíram. A garota havia se perdido.
Pegou se guarda-chuva embora não estivesse chovendo. Atravessou a rua, e viu a garota metros a frente. Pensou em oferecer seu guarda-chuva, uma vez que ela se encontrava sem. Ora, que ideia tola! Não estava chovendo. Oferecer o abrigo só o faria parecer um qualquer esquisito e oportunista - e talvez o fosse, no fundo o fosse, internamente, em seu âmago tinha isto como certeza. A garota colocou um capuz. Ambos ficaram presos no meio da avenida, entre os carros passando. Uma brecha. Atravessaram. Ele na beira da calçada, ela sob as marquises.
"Como ela é bonita!" - pensava consigo. "Talvez vislumbrá-la apenas mais uma vez não seria má ideia, ela está dormindo tão calma..." - também pensara. Levantou a cabeça e ela o olhava diretamente. Sem querer se entreolharam, olhos nos olhos, por um segundo ou menos. Viraram suas faces para outro ponto qualquer simultaneamente, e ao mesmo tempo abaixaram suas cabeças. O ônibus finalmente chegou em sua primeira parada.
"Será que ela desce aqui? Muitos descem aqui.". Ela não desceu. Mas o susto e o incômodo o impeliram a se sentar, visto que muitos bancos ficaram vagos. Se sentou. Encostou a cabeça na janela embaçada e se meteu a pensar, a imaginar ações e falas com a bela desconhecida que sentava dois bancos atrás. Ações e falas diversas, e suas permutações em outras inúmeras ações e falas. Adormeceu.
"Cuidado com furtos no interior do veículo", era o que dizia a voz que o acordava. Ele se indagou se a garota ainda estava lá, mas havia gente demais para ver. Passou mais uma parada e um engarrafamento com esta questão em mente. Passado o engarrafamento, se aproximava seu destino. E o dela também. Ela passou por ele ao sair. Tentou tomar o mesmo caminho, mas o mesmo rapaz que o passara ao momento do embarque, o passou no momento do desembarque. Saíram. A garota havia se perdido.
Pegou se guarda-chuva embora não estivesse chovendo. Atravessou a rua, e viu a garota metros a frente. Pensou em oferecer seu guarda-chuva, uma vez que ela se encontrava sem. Ora, que ideia tola! Não estava chovendo. Oferecer o abrigo só o faria parecer um qualquer esquisito e oportunista - e talvez o fosse, no fundo o fosse, internamente, em seu âmago tinha isto como certeza. A garota colocou um capuz. Ambos ficaram presos no meio da avenida, entre os carros passando. Uma brecha. Atravessaram. Ele na beira da calçada, ela sob as marquises.
Uma quadra depois e a chuva volta a cair. "Agora sim, vou diminuir o passo e oferecer meu guarda-chuva". Olhou para trás e ela não se encontrava mais lá. Típico. Uma pena. Uma amargura, falta de doçura. Não era bom, entretanto a lembrança era fresca e era doce. E as coisas doces o agradavam.
sábado, 20 de agosto de 2011
Gris Moyen
Acabei de ver um filme que trabalha bem a inteligência. Mas não a inteligência que - especialmente nós homens - estamos habituados. Não aquela inteligência, por definição racional, lógica. A inteligência a qual o filme nos remete é quase antagônica, ainda que complementar à já dita; é a inteligência emocional.
Talvez você que está a ler esteja se perguntando "Mas isso existe?". Indagação adequada visto que sempre nos dizem que razão e emoção são sempre contrárias uma à outra. Eu mesmo até pouco tempo acreditava nesse dualismo, nesse branco e preto, mas, como já disse, minha mente se diluiu em tons de cinza, e com ela minhas crenças também. Bom, respondendo a pergunta: sim, isso existe!
Muito bem, paremos com esses rodeios. O filme me pareceu tão bom, que não vi necessidade de alguém nem mesmo de entender racionalmente o filme. Simplesmente não precisa. Tudo o que deveria ser passado pelo filme, nos é transmitido através de referências emocionais, não lógicas. Inclusive, algum desavisado poderia assistir apenas alguns pedaços do filme, pois eles já se bastam por si. Enfim, o filme é bom.
Para quem se interessar de alguma forma, o nome do filme é "Ils se Marièrent et Eurent Beaucoup d'Enfants".
Talvez você que está a ler esteja se perguntando "Mas isso existe?". Indagação adequada visto que sempre nos dizem que razão e emoção são sempre contrárias uma à outra. Eu mesmo até pouco tempo acreditava nesse dualismo, nesse branco e preto, mas, como já disse, minha mente se diluiu em tons de cinza, e com ela minhas crenças também. Bom, respondendo a pergunta: sim, isso existe!
Muito bem, paremos com esses rodeios. O filme me pareceu tão bom, que não vi necessidade de alguém nem mesmo de entender racionalmente o filme. Simplesmente não precisa. Tudo o que deveria ser passado pelo filme, nos é transmitido através de referências emocionais, não lógicas. Inclusive, algum desavisado poderia assistir apenas alguns pedaços do filme, pois eles já se bastam por si. Enfim, o filme é bom.
Para quem se interessar de alguma forma, o nome do filme é "Ils se Marièrent et Eurent Beaucoup d'Enfants".
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Essay #1
[Nota: Nada melhor para publicar.]
What else could be done,
if they're all gone?
What else could be said,
when all you've got left is yourself awake in your bed?
All the memories,
I must burn,
'Cause if I don't, they would turn
all into huge tragedies.
When I write,
I pay attention to the dark ink.
I don't even blink;
Won't anything ever be just right?
Maybe, the problem is that I over-think.
I dreamed of us and of our trust,
But, unfortunately, we were crushed by our lust.
"Something borrowed, something blue"
is what they say; and now all I had to say, I just said everything to you.
What else could be done,
if they're all gone?
What else could be said,
when all you've got left is yourself awake in your bed?
All the memories,
I must burn,
'Cause if I don't, they would turn
all into huge tragedies.
When I write,
I pay attention to the dark ink.
I don't even blink;
Won't anything ever be just right?
Maybe, the problem is that I over-think.
I dreamed of us and of our trust,
But, unfortunately, we were crushed by our lust.
"Something borrowed, something blue"
is what they say; and now all I had to say, I just said everything to you.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Laicismo - Parte 1: Educação
Essa postagem será diferente das outras que costumo deixar aqui.
Apesar de ser agnóstico, procuro não enfatizar essa minha escolha aqui no Memórias Dissolvidas, assim como optei por não tocar em assuntos religiosos no blog, a não ser em eventuais postagens onde o fator religioso seja importante para a história, conto, poesia, prosa, etc.. Entretanto, após ler uma postagem recente no site Livres Pensadores, que convida quem tem blog(s) e/ou afins a postarem sobre este tema, o laicismo.
Bem, como já disse, hoje estou aqui para falar sobre algo realmente muito sério; a necessidade urgente de um Estado verdadeiramente laico, ao menos no Brasil que é o país onde nasci, e sempre morei, sendo assim meu único exemplo de Estado que conheço de verdade.
Segundo a Constituição Brasileira de 1988, especialmente de acordo com os Artigos 4º e 5º, todo brasileiro, todo estrangeiro com visto para morar no Brasil ou todo extrangeiro naturalizado brasileiro tem direito a liberdade de crença. Ainda segundo a Constituição vigente, no Artigo 5º, parágrafo II lê-se:
"II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de lei;"
Ora, sendo garantidas tanto a liberdade de crença (e portanto da falta de crença também) e a não obrigatoriedade de fazer algo salvo em virtude da lei que abrange a todos, chego à conclusão de que ninguém deve ser influenciado por nenhuma doutrina religiosa ao se tratar de assuntos públicos. Por esta razão, nas Leis de Diretrizes e Bases de 1996 lê-se em seu Artigo 33º:
"Art. 33º. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários
normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os
cofres públicos, de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos ou por seus
responsáveis, em caráter:
I - confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu responsável,
ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados pelas
respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou
II - interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades religiosas, que se
responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa."
Ok, esta é a teoria. Mas na prática sabemos que é bem diferente.
Eu, particularmente, tive a sorte (e privilégio) de, antes da faculdade, estudar em escolas e colégios privados. Foram quatro colégios; três de orientação católica e um de orientação adventista. Em todos dizia-se que as aulas de religião eram facultativas, mas na prá
tica não eram, pois todo o corpo docente das instituições forçava os alunos a participarem das aulas de religião - que na maioria das vezes se pareciam mais com aulas de conversão, doutrinamento forçado aos alunos, não importando a opinião do mesmo. No caso do colégio de orientação adventista, os alunos eram incllusive forçados a participarem de rituais religiosos (cultos) que ocorriam no colégio, o mesmo ocorreu em alguns períodos em uma escola católica onde também estudei. Tudo isso deixou claro que o ambiente não era laico, por mais que se propusesse. Quanto a isto, pouco podia fazer, afinal, por serem instituições privadas e não públicas, elas poderiam oferecer as aulas de religião como bem entendessem, e inclusive impor como matéria obrigatória a mesma. É claro, não poderiam obrigar uma conversão do aluno, pois isto é crime.
Também é salutar lembrar que todos os cômodos e até os corredores dos colégios tinham referências religiosas, o símbolo do adventismo do sétimo dia no colégio adventista, e cruzes e imagens de santos nos colégios católicos.
E quanto às escolas públicas? Bem, nestas encontra-se cruzes quase sempre, nas salas de aula ao menos. Isso passa um caráter de escola com ensino religioso confecional. Mas há um porém: só é confecional para católicos apostólicos romanos, e tentando extender ao máximo, para cristãos, ou ainda pessoas com mais de uma religião, caso haja alguma. Uma pessoa budista, ubandista, espírita, satanista, hinduísta, islâmica, judia, zoroastrista, xintoísta, confucionista, taoísta, entre outras várias religiões, não seria contemplado(a) com o mesmo benefício do caráter confecional, uma vez que não há um professor ou uma equipe confecional para isto. Na verdade, se cada escola tivesse uma equipe para cada fé de cada aluno ou ainda para cada fé de cada possível aluno, o corpo docente seria gigantesco tamanho é o número de fés diferentes que existem. É óbvio que as chances do aluno ser católico são grandes, pois o Brasil é o maior país católico do mundo. Entretanto, as políticas públicas e de educação não devem ser pautadas pela proporção de uma crença, uma vez que o Estado é oficialmente laico. Por isso, creio que a educação religiosa deva ser intercofessional. Porém, sem doutrinamento algum, visto que ninguém deve ser doutrinado em uma determinada religião ou filosofia caso não queira. Acredito ainda numa outra saída: o banimento do ensino de religião, ao menos nas escolas e colégios públicos; porém esta medida talvez não seria tão boa, pois empobreceria a cultura da população, no caso, dos alunos (digo isso tendo em vista que todas as religiões representam em sua totalidade um reflexo da cultura de um povo). De qualquer forma, no fim das contas, o importante é que as instituições públicas de ensino sejam laicas, tal como o Estado deve ser, caso contrário, podem haver consequências desagradáveis, ruins e até mesmo desastrosas em casos extremos.
Gostaria de deixar claro que não sou favorável ao fim das narrativas religiosas, de seus contos e da cultura que permeia cada religião existente. Talvez eu me incline sim para uma visão de que seria melhor um mundo sem religiões, mas definitivamente sem deixarmos de conhecer as religiões que existiram até hoje, pois seria uma perda irreparável para humanidade caso repentinamente perdessemos todo o enorme acervo histórico e cultural que as religiões nos proporcinaram com o passar dos milênios. Como o inglês Richard Dawkins diz, a mitologia das religiões são excelentes meios para a produção cultural ainda que esta não seja partidária da mitologia utilizada - como exemplo disso temos os infindáveis escritos da Era Moderna que mesmo sendo escritos normalmente por cristãos, se referem às mitologias greco-romanas da Antiguidade, em tom poético e belo. Enfim, essa postagem não é tampouco um atentado contra a liberdade religiosa e/ou de expressão.
Dito isso, como fim da primeira parte de Laicismo, deixo a proposta de três vídeos. Primeiramente parte de um discurso do presidente americano Barack Obama, que mesmo sendo americano, trata de assuntos que o Brasil partilha com os Estados Unidos, e com qualquer outro país laico no mundo. O segundo vídeo é a primeira de cinco partes do programa MTV Debate, com o tema 'Religião na Escola Pública?', exibido em Setembro de 2009. Por fim, o terceiro vídeo, é a parte inicial de um total de quatro partes do programa Trocando Idéias, da TV Justiça, exibido em Agosto de 2009 que teve como tema 'Ensino Religioso nas Escolas Públicas'.
Seguem os vídeos, na ordem:
1- Discurso de Obama:
http://www.youtube.com/watch?v=_IHQr4Cdx88
2- MTV Debate:
http://www.youtube.com/watch?v=vbL1uok56FM
3- Trocando Idéias:
http://www.youtube.com/watch?v=nOgAbriglGE&feature=related
Apesar de ser agnóstico, procuro não enfatizar essa minha escolha aqui no Memórias Dissolvidas, assim como optei por não tocar em assuntos religiosos no blog, a não ser em eventuais postagens onde o fator religioso seja importante para a história, conto, poesia, prosa, etc.. Entretanto, após ler uma postagem recente no site Livres Pensadores, que convida quem tem blog(s) e/ou afins a postarem sobre este tema, o laicismo.
Bem, como já disse, hoje estou aqui para falar sobre algo realmente muito sério; a necessidade urgente de um Estado verdadeiramente laico, ao menos no Brasil que é o país onde nasci, e sempre morei, sendo assim meu único exemplo de Estado que conheço de verdade.
Segundo a Constituição Brasileira de 1988, especialmente de acordo com os Artigos 4º e 5º, todo brasileiro, todo estrangeiro com visto para morar no Brasil ou todo extrangeiro naturalizado brasileiro tem direito a liberdade de crença. Ainda segundo a Constituição vigente, no Artigo 5º, parágrafo II lê-se:
"II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
Ora, sendo garantidas tanto a liberdade de crença (e portanto da falta de crença também) e a não obrigatoriedade de fazer algo salvo em virtude da lei que abrange a todos, chego à conclusão de que ninguém deve ser influenciado por nenhuma doutrina religiosa ao se tratar de assuntos públicos. Por esta razão, nas Leis de Diretrizes e Bases de 1996 lê-se em seu Artigo 33º:
"Art. 33º. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários
normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os
cofres públicos, de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos ou por seus
responsáveis, em caráter:
I - confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu responsável,
ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados pelas
respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou
II - interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades religiosas, que se
responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa."
Ok, esta é a teoria. Mas na prática sabemos que é bem diferente.
Eu, particularmente, tive a sorte (e privilégio) de, antes da faculdade, estudar em escolas e colégios privados. Foram quatro colégios; três de orientação católica e um de orientação adventista. Em todos dizia-se que as aulas de religião eram facultativas, mas na prá
tica não eram, pois todo o corpo docente das instituições forçava os alunos a participarem das aulas de religião - que na maioria das vezes se pareciam mais com aulas de conversão, doutrinamento forçado aos alunos, não importando a opinião do mesmo. No caso do colégio de orientação adventista, os alunos eram incllusive forçados a participarem de rituais religiosos (cultos) que ocorriam no colégio, o mesmo ocorreu em alguns períodos em uma escola católica onde também estudei. Tudo isso deixou claro que o ambiente não era laico, por mais que se propusesse. Quanto a isto, pouco podia fazer, afinal, por serem instituições privadas e não públicas, elas poderiam oferecer as aulas de religião como bem entendessem, e inclusive impor como matéria obrigatória a mesma. É claro, não poderiam obrigar uma conversão do aluno, pois isto é crime.Também é salutar lembrar que todos os cômodos e até os corredores dos colégios tinham referências religiosas, o símbolo do adventismo do sétimo dia no colégio adventista, e cruzes e imagens de santos nos colégios católicos.
E quanto às escolas públicas? Bem, nestas encontra-se cruzes quase sempre, nas salas de aula ao menos. Isso passa um caráter de escola com ensino religioso confecional. Mas há um porém: só é confecional para católicos apostólicos romanos, e tentando extender ao máximo, para cristãos, ou ainda pessoas com mais de uma religião, caso haja alguma. Uma pessoa budista, ubandista, espírita, satanista, hinduísta, islâmica, judia, zoroastrista, xintoísta, confucionista, taoísta, entre outras várias religiões, não seria contemplado(a) com o mesmo benefício do caráter confecional, uma vez que não há um professor ou uma equipe confecional para isto. Na verdade, se cada escola tivesse uma equipe para cada fé de cada aluno ou ainda para cada fé de cada possível aluno, o corpo docente seria gigantesco tamanho é o número de fés diferentes que existem. É óbvio que as chances do aluno ser católico são grandes, pois o Brasil é o maior país católico do mundo. Entretanto, as políticas públicas e de educação não devem ser pautadas pela proporção de uma crença, uma vez que o Estado é oficialmente laico. Por isso, creio que a educação religiosa deva ser intercofessional. Porém, sem doutrinamento algum, visto que ninguém deve ser doutrinado em uma determinada religião ou filosofia caso não queira. Acredito ainda numa outra saída: o banimento do ensino de religião, ao menos nas escolas e colégios públicos; porém esta medida talvez não seria tão boa, pois empobreceria a cultura da população, no caso, dos alunos (digo isso tendo em vista que todas as religiões representam em sua totalidade um reflexo da cultura de um povo). De qualquer forma, no fim das contas, o importante é que as instituições públicas de ensino sejam laicas, tal como o Estado deve ser, caso contrário, podem haver consequências desagradáveis, ruins e até mesmo desastrosas em casos extremos.
Gostaria de deixar claro que não sou favorável ao fim das narrativas religiosas, de seus contos e da cultura que permeia cada religião existente. Talvez eu me incline sim para uma visão de que seria melhor um mundo sem religiões, mas definitivamente sem deixarmos de conhecer as religiões que existiram até hoje, pois seria uma perda irreparável para humanidade caso repentinamente perdessemos todo o enorme acervo histórico e cultural que as religiões nos proporcinaram com o passar dos milênios. Como o inglês Richard Dawkins diz, a mitologia das religiões são excelentes meios para a produção cultural ainda que esta não seja partidária da mitologia utilizada - como exemplo disso temos os infindáveis escritos da Era Moderna que mesmo sendo escritos normalmente por cristãos, se referem às mitologias greco-romanas da Antiguidade, em tom poético e belo. Enfim, essa postagem não é tampouco um atentado contra a liberdade religiosa e/ou de expressão.
Dito isso, como fim da primeira parte de Laicismo, deixo a proposta de três vídeos. Primeiramente parte de um discurso do presidente americano Barack Obama, que mesmo sendo americano, trata de assuntos que o Brasil partilha com os Estados Unidos, e com qualquer outro país laico no mundo. O segundo vídeo é a primeira de cinco partes do programa MTV Debate, com o tema 'Religião na Escola Pública?', exibido em Setembro de 2009. Por fim, o terceiro vídeo, é a parte inicial de um total de quatro partes do programa Trocando Idéias, da TV Justiça, exibido em Agosto de 2009 que teve como tema 'Ensino Religioso nas Escolas Públicas'.
Seguem os vídeos, na ordem:
1- Discurso de Obama:
http://www.youtube.com/watch?v=_IHQr4Cdx88
2- MTV Debate:
http://www.youtube.com/watch?v=vbL1uok56FM
3- Trocando Idéias:
http://www.youtube.com/watch?v=nOgAbriglGE&feature=related
domingo, 17 de julho de 2011
Tons de Cinza
Hoje. Agora.
Minha mente se dissolveu
Meu coração a obedeceu
E assim foi; em tons de cinza e em boa hora.
Minha mente se dissolveu
Meu coração a obedeceu
E assim foi; em tons de cinza e em boa hora.
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