De aparência delicada, meiga. A garota vivia uma vida boa, suburbana mas proclamava para si a vida que os de lá queriam que ela vivesse.
Escutava muitas coisas diferentes. Queria ser dark, mas não podia. Suas amigas também não podiam. Isto é; será que ela teve amigas?
Talvez quisessem ser assim, ter contato com essas coisas porque a vida era boa demais, porque não conseguiam imaginar com toda a força e veracidade grotesca, detestável e agoniante - ainda que todas tivessem excelentes habilidades criativas e psicomotoras.
Tinha uma que era puta. Mas ela não fazia diferença; viviam como uma porca se afundando na lama guiada pelas drogas e por alguns garotos que cometiam pequenos crimes e que cheiravam umas carreiras às vezes.
Essa merda toda já não faz sentido. Por que corriam atrás dos vadios? Bem, é porque às vezes as garotas gostam dos caras que fazem elas sofrerem. A mente feminina é atormentada até por ela mesma.
Será que Kerouac iria gostar disso?
domingo, 7 de outubro de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
É.
O tempo não volta. Isso dá desgosto. O teu tempo é o desgosto.
Quantas vezes quiseste voltar atrás? É. Mas não vai; o tempo só segue para frente, só avança, só dilacera tua criança.
Inveja. Raiva. Remorso. Vingança.
Mas acalme-te! Não houve delito! Nenhum outro deverá punir-te. Aquela que o punirá, tu conheces bem; está dentro de ti; na sua mente. Seus dias serão preenchidos das recordações que poderiam ser. Vejamos então a figura grotesca que emana do interior.
A religião diz que a inveja é ruim. Mas não importa, este deus não existe e é só mais um ídolo hipócrita tal como a instituição depravada que o rende graças. Com 'tua obra' caída, teus (sim, os teus) demônios batem asas!
Quantas vezes quiseste voltar atrás? É. Mas não vai; o tempo só segue para frente, só avança, só dilacera tua criança.
Inveja. Raiva. Remorso. Vingança.
Mas acalme-te! Não houve delito! Nenhum outro deverá punir-te. Aquela que o punirá, tu conheces bem; está dentro de ti; na sua mente. Seus dias serão preenchidos das recordações que poderiam ser. Vejamos então a figura grotesca que emana do interior.
A religião diz que a inveja é ruim. Mas não importa, este deus não existe e é só mais um ídolo hipócrita tal como a instituição depravada que o rende graças. Com 'tua obra' caída, teus (sim, os teus) demônios batem asas!
Este ser se acalma por fim. Mas o remorso do não está ali, latente, esperando pacientemente para o momento em que será consumado, esperando junto à raiva, esperando junto à inveja. Doce inveja. Ela move todas as criaturas. Todas degeneradas. Ela as corrói, mas estão passivas, estão sedadas, sendo assim, não dói.
Só queria voltar atrás, fazer o que não fez. Queria e nunca poderá. Quer seja a infância, quer seja a adolescência, não poderá. O que fez? Nada. O que gostaria de ter feito? Tudo. O que quer fazer? Tudo. Tudo, mas nada que faça será o suficiente, visto que estas coisas deveriam ter sido feitas antes - naquele 'antes', naquele passado inalcançável, enterrado, que não pode ser revivido, não pode ser alterado.
Gostaria de ter sido normal. Foi simples, tosco, anormal; foi ruim, foi único, foi diferente, até excêntrico; nada que fizera foi surpreendente, não teve grande sorte, não era bom em nada em especial. Hoje este é um pouco normal [de fato], mas gostaria de ser excêntrico, de ser único, de ser diferente; hoje o ser excêntrico, o único, e o diferente são o 'ser normal'. Insano. Se remói em si mesmo. Não tem idade para ser quem queria: fatalismo. O único que é.
Gostaria de ter sido normal. Foi simples, tosco, anormal; foi ruim, foi único, foi diferente, até excêntrico; nada que fizera foi surpreendente, não teve grande sorte, não era bom em nada em especial. Hoje este é um pouco normal [de fato], mas gostaria de ser excêntrico, de ser único, de ser diferente; hoje o ser excêntrico, o único, e o diferente são o 'ser normal'. Insano. Se remói em si mesmo. Não tem idade para ser quem queria: fatalismo. O único que é.
domingo, 10 de junho de 2012
Diário de uma Garota
Inveja, ódio, raiva, medo e nostalgia. Esses eram os sentimentos que meus amigos sentiam, uns mais outros menos. À estes está associado ainda o sentimento de culpa e o de negação. E por isso fumam e bebem, e inventam mentiras para si mesmos e para outras pessoas. Em suma, só mais uma história normal; constatação de nossos tempos.
Alguns não confiam em si mesmos, mas em quem vão confiar? No Zé da esquina, no cara que cheira umas carreiras de pó no banheiro, no playboy passando de carro 0 com duas piriguetes que só querem se aproveitar de seu dinheiro, ou no porteiro tarado? Talvez na velha mesquinha que vende chocolates e que depois a neta drogada xinga? Não, estas pessoas estão ainda piores que eles mesmos. Então, sentem-se mal por não terem grandes problemas. Vão à esquina famosa, e bebem mais com seus amiguinhos que não são amiguinhos na verdade - apenas companheiros de copo. Uns bêbados chatos. Só fico me perguntando como deve ser a 'psyque' dessa gente.
Alguns não confiam em si mesmos, mas em quem vão confiar? No Zé da esquina, no cara que cheira umas carreiras de pó no banheiro, no playboy passando de carro 0 com duas piriguetes que só querem se aproveitar de seu dinheiro, ou no porteiro tarado? Talvez na velha mesquinha que vende chocolates e que depois a neta drogada xinga? Não, estas pessoas estão ainda piores que eles mesmos. Então, sentem-se mal por não terem grandes problemas. Vão à esquina famosa, e bebem mais com seus amiguinhos que não são amiguinhos na verdade - apenas companheiros de copo. Uns bêbados chatos. Só fico me perguntando como deve ser a 'psyque' dessa gente.
Minhas amigas, por vez, gostam de se dizer santas mas gostam mesmo é de pegar um bom canalha, daqueles que fazem você se sentir especial, que você sabe que vai dar problema, que é um cara errado, mas que é perfeito pra se divertir. Há ainda as que só pensam em trabalhar, a maioria pensa que elas são umas coitadas... podem até ser, mas são as mais legais.
Já esta que vos fala olha isso com certa pena. Olho pra mim mesma e não me vejo assim como estes, ainda bem. Tenho uns problemas sim... Talvez eu não confie em mim mesma, mas quem é que confia em tudo de si? O foda mesmo é ter que responder perguntas que não gosto, coisas que me deixam nervosa, ou meio exposta... Tipo perguntas de coisas íntimas, coisas pessoais, que minhas amigas e às vezes até uns amigos mais avançadinhos me fazem toda hora. Mas consigo dar um jeito bem neles, é um tanto incômodo, mas depois que olho pra trás parece bem divertido. Tem umas vezes também, que eu tenho que mentir pra escapar de um papo chato, mas é só uma mentirinha, não faz mal e ninguém vai ficar sabendo. Confesso que já menti e omiti para poupar minhas três melhores amigas (uma nem é mais minha amiga, mas ainda assim considero). É aquela coisa né: a verdade machuca. Mas quando é pra mim, prefiro saber a verdade, mesmo que machuque.
Tem uma piranha de marca maior lá do serviço que quis sair comigo ontem, tive que ir pra fazer social. Foi uma bosta, pior que ela resolveu fazer compras e fomos ver umas calças, umas saias e meia calça também. Ela teve a falta de noção de comprar uma saia com estampas coloridas, parecia uma colcha de retalhos, e para fechar com chave de ouro, ainda comprou uma meia arrastão e uma cinta liga. De certo quer aumento ou alguma coisa do chefe... Mas o que mais me irritou foi ela ter postado tudo isso na internet e com fotos ainda, que fui obrigada a tirar com ela pra não ficar chato. Tudo isso, além da conta de luz que veio errada, muito alta - mais de mil -, pela segunda vez! E pra piorar, ainda na minha tpm!
Acho que já foi bastante, vou comer o resto do brigadeiro que eu fiz de tarde e ir ver um filme.
Já esta que vos fala olha isso com certa pena. Olho pra mim mesma e não me vejo assim como estes, ainda bem. Tenho uns problemas sim... Talvez eu não confie em mim mesma, mas quem é que confia em tudo de si? O foda mesmo é ter que responder perguntas que não gosto, coisas que me deixam nervosa, ou meio exposta... Tipo perguntas de coisas íntimas, coisas pessoais, que minhas amigas e às vezes até uns amigos mais avançadinhos me fazem toda hora. Mas consigo dar um jeito bem neles, é um tanto incômodo, mas depois que olho pra trás parece bem divertido. Tem umas vezes também, que eu tenho que mentir pra escapar de um papo chato, mas é só uma mentirinha, não faz mal e ninguém vai ficar sabendo. Confesso que já menti e omiti para poupar minhas três melhores amigas (uma nem é mais minha amiga, mas ainda assim considero). É aquela coisa né: a verdade machuca. Mas quando é pra mim, prefiro saber a verdade, mesmo que machuque.
Tem uma piranha de marca maior lá do serviço que quis sair comigo ontem, tive que ir pra fazer social. Foi uma bosta, pior que ela resolveu fazer compras e fomos ver umas calças, umas saias e meia calça também. Ela teve a falta de noção de comprar uma saia com estampas coloridas, parecia uma colcha de retalhos, e para fechar com chave de ouro, ainda comprou uma meia arrastão e uma cinta liga. De certo quer aumento ou alguma coisa do chefe... Mas o que mais me irritou foi ela ter postado tudo isso na internet e com fotos ainda, que fui obrigada a tirar com ela pra não ficar chato. Tudo isso, além da conta de luz que veio errada, muito alta - mais de mil -, pela segunda vez! E pra piorar, ainda na minha tpm!
Acho que já foi bastante, vou comer o resto do brigadeiro que eu fiz de tarde e ir ver um filme.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Encasulada
Dizem que os opostos se atraem. É mentira.
Havia um garoto chamado Eduardo que era bom em algumas coisas, mas não em tudo, falava bastante, não era do tipo mudo. Havia uma garota chamada Camila que era boa em algumas coisas, boa na maioria das coisas, mas em outras ficava confusa.
Num dia quente, provavelmente com chuva, não temos certeza, eles se conheceram. Se olharam e ambos pensaram: "Nossa, que babaca aí na minha frente." Entretanto sorriram e foram embora. Talvez Eduardo tivesse pensado alguma outra coisa, possivelmente envolvendo cerveja.
Dias se passaram e contra suas vontades, tiveram que conviver. A aversão mútua hora crescia, hora se apagava. Muito mais por parte de Eduardo, ele era instável. Muitas pessoas reclamavam disso na verdade.
Já Camila era mais estável (bem mais), porém - sempre os poréns - era um tanto tímida. De qualquer maneira, todos contornavam isso, ou simplesmente a contornavam e prosseguiam. Esse tipo de atitude alheia foi o que encasulou Camila por alguns anos, até que ela se tornasse esquiva. O mesmo acontecera com Eduardo, certamente por motivos diferentes, mas em alguma parte do processo, alguém acidentalmente quebrou seu casulo.
Havia um garoto chamado Eduardo que era bom em algumas coisas, mas não em tudo, falava bastante, não era do tipo mudo. Havia uma garota chamada Camila que era boa em algumas coisas, boa na maioria das coisas, mas em outras ficava confusa.
Num dia quente, provavelmente com chuva, não temos certeza, eles se conheceram. Se olharam e ambos pensaram: "Nossa, que babaca aí na minha frente." Entretanto sorriram e foram embora. Talvez Eduardo tivesse pensado alguma outra coisa, possivelmente envolvendo cerveja.
Dias se passaram e contra suas vontades, tiveram que conviver. A aversão mútua hora crescia, hora se apagava. Muito mais por parte de Eduardo, ele era instável. Muitas pessoas reclamavam disso na verdade.
Já Camila era mais estável (bem mais), porém - sempre os poréns - era um tanto tímida. De qualquer maneira, todos contornavam isso, ou simplesmente a contornavam e prosseguiam. Esse tipo de atitude alheia foi o que encasulou Camila por alguns anos, até que ela se tornasse esquiva. O mesmo acontecera com Eduardo, certamente por motivos diferentes, mas em alguma parte do processo, alguém acidentalmente quebrou seu casulo.
Mais algumas semanas, cada vez mais curtas, se passaram, e Eduardo pensou em não pensar. Não conseguiu. Camila, por outro lado, pensava em pensar, e apenas nisso. Ela tinha medo de não pensar, assim como você leitor provavelmente também teme. Eduardo já fora como Camila, mesmo sem querer (e quem é que pode afirmar que Camila queria isso?), mas se transviara. Uma pena, talvez - depende do ponto de vista.
Mais algumas noites vieram e se foram, e Camila começou a não pensar, mas ficou com medo e logo tratou de ser esquiva; desviava habilmente da ausência de pensamento. Eduardo pensava cada vez menos. As coisas não batiam. Eles se olharam algumas vezes mais - nota-se que Eduardo olhou mais -, e não pensavam mais o mesmo que no início, sequer pensavam. Isso os incomodava ou os assustava, eles também não tinham certeza. A única certeza é que então, ambos se olhavam. Apenas se olhavam, e tudo o que havia era a imagem um do outro expressa em suas pupilas.
Seis dias depois, Camila resolveu ser mais Camila do que de costume; esquivava-se melhor.
Eduardo me contou isso. Prometi que não escreveria nada sobre o assunto, mas cá estou eu, contanto estórias distorcidas, cheias de subjetividades e comentários de outros que já estão sabendo do que Eduardo me contou.
Certa hora Camila começa a sair de cena. E tudo nos leva a crer que esta hora é agora. À noite todos saem de cena, só restam os gatos pulando de muro em muro e os bêbados sentados em meios-fios com suas garrafas de cachaça. A debandada do palco, o apagar de luzes momentâneo só faz Eduardo pensar que ele sempre viu Camila de perfil, nunca de frente mostrando um sorriso singelo. Camila virou uma silhueta virada de lado, num retrato quadrado, fora de cena, fora do teatro da cabeça de Eduardo, que outra vez acordou de um sonho. Calado.
Mais algumas noites vieram e se foram, e Camila começou a não pensar, mas ficou com medo e logo tratou de ser esquiva; desviava habilmente da ausência de pensamento. Eduardo pensava cada vez menos. As coisas não batiam. Eles se olharam algumas vezes mais - nota-se que Eduardo olhou mais -, e não pensavam mais o mesmo que no início, sequer pensavam. Isso os incomodava ou os assustava, eles também não tinham certeza. A única certeza é que então, ambos se olhavam. Apenas se olhavam, e tudo o que havia era a imagem um do outro expressa em suas pupilas.
Seis dias depois, Camila resolveu ser mais Camila do que de costume; esquivava-se melhor.
Eduardo me contou isso. Prometi que não escreveria nada sobre o assunto, mas cá estou eu, contanto estórias distorcidas, cheias de subjetividades e comentários de outros que já estão sabendo do que Eduardo me contou.
Certa hora Camila começa a sair de cena. E tudo nos leva a crer que esta hora é agora. À noite todos saem de cena, só restam os gatos pulando de muro em muro e os bêbados sentados em meios-fios com suas garrafas de cachaça. A debandada do palco, o apagar de luzes momentâneo só faz Eduardo pensar que ele sempre viu Camila de perfil, nunca de frente mostrando um sorriso singelo. Camila virou uma silhueta virada de lado, num retrato quadrado, fora de cena, fora do teatro da cabeça de Eduardo, que outra vez acordou de um sonho. Calado.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
Em voz alta.
Cada vez mais
sei que é arte.
Tudo é, em seus anais.
Mas sabe como é, homens são de Marte.
Arte, como a do amigo que sonha, com as vergonhas
da moça do cartaz.
Que se imagina, ele, com ela, com as fronhas.
Por esta, seria capaz, seria capataz.
Cada vez mais
sei que é arte.
De homens, não de animais.
Mas sabe como é, a falta, faz parte.
A garota que deita.
O quadro que desenha.
A faixa de areia, estreita.
O rapaz a quem desdenha.
Cada vez mais
sei que é arte.
Aqui, no Rio, na ilha, ou nas Minas Gerais.
É coisa que dura, que nem o tempo reparte.
Um outro mês
madrugada a dentro.
Ouvindo sempre aquela música em francês.
Lembro dessa e daquela, não me concentro.
Cada vez mais
penso que é tarde.
Escrevo notas dos pensamentos abissais,
Findarei este em voz alta, mas sem alarde.
sei que é arte.
Tudo é, em seus anais.
Mas sabe como é, homens são de Marte.
Arte, como a do amigo que sonha, com as vergonhas
da moça do cartaz.
Que se imagina, ele, com ela, com as fronhas.
Por esta, seria capaz, seria capataz.
Cada vez mais
sei que é arte.
De homens, não de animais.
Mas sabe como é, a falta, faz parte.
A garota que deita.
O quadro que desenha.
A faixa de areia, estreita.
O rapaz a quem desdenha.
Cada vez mais
sei que é arte.
Aqui, no Rio, na ilha, ou nas Minas Gerais.
É coisa que dura, que nem o tempo reparte.
Um outro mês
madrugada a dentro.
Ouvindo sempre aquela música em francês.
Lembro dessa e daquela, não me concentro.
Cada vez mais
penso que é tarde.
Escrevo notas dos pensamentos abissais,
Findarei este em voz alta, mas sem alarde.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Dezembro
Esse é um post diferente. Li o blog de um amigo e fiquei inspirado a escrever. Mas não do jeito que sempre escrevo, do jeito que eu conversava com uma velha jovem dias atrás. É uma cópia adaptada, algo escarrado isso aqui. É grande. Não sei se é legal. Mas eu acho. Leia quem quiser.
Fazia um frio incomum aquele fim de ano. Na TV falaram que a temperatura aqui estava 6 ou 7 graus abaixo da média mínima. É, eu gosto de meteorologia, não tenho o que fazer mesmo.
Lembro de um sábado que acordei cedo, comi um pão, me arrumei, liguei o carro, esperei esquentar e fui trabalhar. Tava escutando alguma música alternativa, como costume. Chovia. Estacionei. Fiquei olhando reto e pensando: "Tomara que eu não pegue nenhuma aluninha tosca de manhã. De manhã é sempre pior dar aula. Eu queria dormir e comer chocolate. Ah foda-se, tenho que fazer isso."
Peguei o guarda-chuva, os fones de ouvido. Tranquei o carro. Fui andando, cansado. Era legal ver a fumaça da minha respiração. Bati ponto. Dei aula. Ao meio-dia já estava bem quente, mas lá dentro não. Continuei com o moletom. Almocei. Dei mais aula. Tinha aquele casal gente boa. Eram os mais legais de dar aula. O dia foi legal até, não tive nenhuma aluninha tosca. Era a mesma bobagem de sempre.
Peguei o guarda-chuva, os fones de ouvido. Tranquei o carro. Fui andando, cansado. Era legal ver a fumaça da minha respiração. Bati ponto. Dei aula. Ao meio-dia já estava bem quente, mas lá dentro não. Continuei com o moletom. Almocei. Dei mais aula. Tinha aquele casal gente boa. Eram os mais legais de dar aula. O dia foi legal até, não tive nenhuma aluninha tosca. Era a mesma bobagem de sempre.
Fui pra casa, já tava bem quente e não chovia no final do dia. Ainda vestia o moletom. Gosto daquele moletom.
É, isso foi no começo do mês.
Depois tive umas provas que ou me fodi, ou me dei bem. Sem meio termo. Sem eufemismo.
Depois tive umas provas que ou me fodi, ou me dei bem. Sem meio termo. Sem eufemismo.
Jantei no RU um outro dia. Como era bom jantar naquele "RU chique" que o povo das engenharias tem o privilegio de desfrutar sempre. Talvez o povo de humanas tenha que se foder mesmo. (acabo de expressar um sorriso ligeiro). Tava bem quente. Finalmente era Dezembro. Fui despedido. Fiquei de boa. Não era um problema - não ainda. Não precisei trabalhar naquela segunda. Perguntei se ainda poderia ir na festa da quarta-feira, no amigo secreto. É que eu não queria deixar um livro de poesias em alemão mofando no meu quarto. Não sei ler alemão.
Fui na festa. Não foi "a festa", mas foi muito melhor do que eu esperava. Estava certo que veria aquelas pessoas pela última vez. Durante a festa não estive tão certo assim, mas ao final a certeza voltou. Ganhei um DVD do AC/DC. Muito bom aliás; ele me lembrava da época em que eu era mais animado e escutava hard rock. Já se foram quatro anos. Sei que é coisa de velho, mas 'parece que foi ontem'.
A festa degringolava, estava acabando. Algumas verdades surgiam. Uma música horrível estava tocando, era realmente insuportável. Mas as pessoas, conhecidas há muito, há pouco, ou desconhecidas estavam sendo muito legais comigo. Me senti bem - eu não esperava por isso aquela noite.
Tinha um povo mais descolado. Um piá estrangeiro... E ele tava afim de uma guria linda. En effet très jolie! Ela era muito astuta. Não era retardada, muito menos vadiazinha. Tinha bom gosto, e sabia disfarçar as investidas dele muito bem. Todos quase sabiam fazê-lo. Até eu. Pensei em manter contato, mas ah! não ia adiantar. Ela tem namorado, os outros eram apenas conhecidos. E eu não era nada perto dela, eu acho.
Saí com os caras, eles pegaram o ônibus na outra direção. Acho que iam fumar maconha na casa de um deles. Fiquei no tubo esperando o meu ônibus. Demorou uma eternidade pra mim. Mas foi legal, era tarde, quase meia-noite, e eu ficava lá, sozinho, num dia morno, de vento frio, dentro do tubo com as luzes apagadas (ou estragadas mesmo), com meia-luz. Tinha uma puta que chegou depois. Fiquei lá, ouvindo meus 'indiezão' (como diz um amigo meu). Troquei, quis ouvir Pearl Jam. Bem melhor. E ficamos lá. Um bêbado, o cobrador sentado na escada, um espaço de três metros ou mais, a puta e eu, na sombra. O ônibus chegou, fui pra casa, entrei, comi, tomei banho e dormi.
Um fim de semana, fui num bar. Era pra escutar rock. O grande rock. Mas era um aniversário. Tava todo mundo agitado, meio louco. Todo mundo de todos os lugares foi pra lá naquela noite. Alguns jogos, umas putinhas fáceis. Peguei elas. Voltei a mim depois de um tempo. Todos voltaram. Fui pra casa, tomei um suco de laranja muito gostoso. Fim de semana legal. As coisas estavam estranhamente bem para a época da minha vida que já se estendia por mais de dois anos e meio. Bom isso. Ah, e foi uma vingança estar bem comigo mesmo. Uma vingança para com todos aqueles filhos da puta que duvidavam e me zoavam. E especialmente uma vingança para aquela lá do começo do ano.
Dias depois, não queria mais putinhas. Essas você encontra em qualquer lugar. São quase uma praga. Essas nem você, nem elas lembram dos nomes. Tava conversando com o pessoal na escada, tava todo mundo tranquilo e preocupado ao mesmo tempo. Mas era bom. Resolvi chamar uma guria legal pra tomar um café, mas acabamos indo tomar uma cerveja e comer. Falamos de muita coisa. Falar de muita coisa é quase meu dom divino - se deus existisse. Andamos até a pracinha, na frente do tubo nos despedimos. Ela agradeceu a companhia e me deu um abraço diferente, que devo dizer, foi um dos melhores em praticamente um ano. Fui pra casa.
Dias depois, na faculdade, fizemos as últimas provas, assistimos as últimas aulas e aquela merda toda acabou. Momentaneamente, na verdade.
Fui pra casa de um cara que se revelou grande amigo, Kotaka. O piá tem suas esquisitices, mas eu também tenho, mais até do que ele eu diria; e afinal, quem é que não é esquisito nessa cidade?! Enfim, ficamos comendo e bebendo bem, jogamos, relaxamos e ficamos conversando com os pais dele - povo legal -, depois conversamos sobre a vida, sobre o passado de uns anos atrás, conversamos sobre garotas, era inevitável falar de garotas, todo homem entende. Falamos de umas coisas sérias depois, mas sempre tinha umas piadinhas no meio, pra ficar mais descontraído. Foi ficando tarde, digo, para ficar na casa de alguém em dia de semana. Voltei pra casa a pé, escutando Eddie Vedder, vendo as casas bonitas daquela parte do bairro, vendo o colégio, lembrando do tempo do colégio. Lembrei daquela guria que eu gostava no colégio, é verdade. Pensei no que poderia ter sido se não. Passei na frente da casa da Gabi, guria legal também, aprendi a gostar ela com o tempo. Eu estava contemplativo, estava feliz. Andei pela Salgado Filho, como nos tempos de colégio, de feirinha, de hapkido. Ótima noite.
Mais alguns dias, já era férias. O tempo começou a esfriar de novo. Chegou a fazer 12ºC numa noite. Muito bom isso. Pude colocar aquele moletom que eu gosto por alguns dias. Meu cunhado, irmã e sobrinho foram pra Minas. Eu fiquei em casa com meus pais. Assisti alguns filmes, terminei de ler o livro sobre poesia medieval que não tive tempo de ler no fim do semestre. Mas o que mais marcou foi o livro que o Kotaka me emprestou; Na Natureza Selvagem. Que livro bom, que história (não estória) boa! Muito boa! Todo mundo tinha que ler esse livro. Fiquei escutando o CD do Eddie e lendo o livro alguns dias. Terminei mudado, tenho certeza.
Natal. Não tinha nada de especial pra comer. A casa está toda zuada por causa dos pedreiros malditos. Nada de presentes, só um chocolate. Me lembrou a páscoa. Chocolate gostoso. Frio e garoa no natal. Bem estranho, mas definitivamente agradável. Não teve nada, mas foi o melhor natal da minha vida. Eu estava tranquilo. A jovem idosa me disse que não fazia sentido desejar bom natal, não acreditando em deus. Talvez faça sentido. Mas ainda acho bom desejar bom natal, por costume, por educação, ou por algum motivo bobo - se você ler isso, desculpa, haha.
Mais dias de chuva e frio. Já me admirava como durava esse friozinho fora de época. Ano novo, ou melhor; último dia do ano. Toquei bateria um pouco. Back to the basics. Assisti um filme qualquer, ambientado numa floresta. Eu gosto de filmes ambientados em florestas. Só era estranho o fato desse filme ser britânico, parecia errado. Lá fora tinha um monte de babaca fazendo barulho, estourando fogos. Sempre me pergunto por que motivo eles não deixam para estourar tudo à meia-noite? Seria uma queima de fogos muito mais bonita e longa se fizessem isso; mas todo ano fazem a mesma idiotice... Não vi o último pôr-do-sol, nem queria ver, o filme era mais legal. A janela dos fundos estava aberta, e eu, ainda vendo o filme. Minha mãe me interrompeu pra uma oração de fim de ano. Eu aceitei.
No quarto dela, ela séria e esperançosa, meu pai com um ar de "só tô aqui porque é minha esposa" e eu em silêncio também. Ela fez a oração, parecia ter fé, não sei. Meu pai cruzava os braços e me olhava, olhava pra ela, mas não dava pra saber direito o que ele tava pensando. Ela com certeza queria que eu tivesse fé de novo. Respeitava isso, por isso fazia silêncio. Mas, as coisas que ela dizia na oração, eram risíveis para todo descrente. Segurei o riso, em respeito à fé alheia. O deus dela já foi meu deus anos atrás. Mesmo assim, quis muito rir. Só que isso seria muito filho da puta. Ela terminou. "Amém", disse ela, e nos olhou esperando que eu e meu pai também disséssemos, mas não falamos nada. Ela abraçou ele, e eu quase ri. Ela disse: "Pode rir." Eu ri. (João 11:35???) hahaha, acho que não naquele dia.
Voltei a ver o filme, quando de repente, fogos estouraram no meu telhado, eu corri e vi toda aquela fumaceira pela janela. Comecei a berrar xingamentos aos vizinhos que mantemos uma relação de ódio mutuo. Chovia, fui na rua, mas não tinha ninguém. Só uma velha, vizinha, que voltava de algum lugar com uma sacola. Nas casas da rua de cima, alguns carros e uma música cafona que tocava há quase 10 horas. Eu queria brigar. Mas não tinha ninguém. Voltei pra casa, tomei banho e comemos. Fogos e fogos, e 'feliz ano novo'. Meus pais foram dormir e eu assisti um episódio de uma série que passei a acompanhar antes de ir fazer o mesmo.
Bom Dezembro.
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